"Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou."
Clarice Lispector
Escrever, Humildade, Técnica
Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.
Clarice Lispector (do livro "A Descoberta do Mundo")
Uma mulher nascida na Ucrânia e viveu em Alagoas, Pernambuco, Pará, Itália, Suíça e EUA. Mas o cenário mais presente em sua obra é o Rio de Janeiro, pra onde se mudou aos 14 anos, em 1935. Foi na capital fluminense que se formou como escritora, com leituras na adolescência e amizades intelectuais na juventude. E foi aqui que ela morreu em 1977 com um câncer avançado no ovário.
Uma mulher completa foi mãe, esposa, jornalista, dona de casa, escritora, viajante, culta com um vocabulário extenso, que através das palavras a cada dia se conhecia mais e mais. “Sempre tive um profundo senso de aventuras, e a palavra profundo está aí querendo dizer inerente. Este senso de aventura é o que me dá o que tenho de aproximação mais lenta e real em relação a viver e, de cambulhada, a escrever”
Solitária? Talvez... Mas quem não é? Sempre acompanhada de sua maquina de escrever “... Eu gostaria de dar um presente a minha máquina, mas o que se pode dar a uma coisa que modestamente se mantém como coisa, sem a pretensão de se tornar humana? Essa tendência atual de elogiar as pessoas dizendo que são “muito humanas” está me cansando. Em geral esse “humano” está querendo dizer “bonzinho”, “afável”, senão meloso. E é isso tudo o que a máquina não tem sequer a vontade de se tornar um robô sinto nela. Mantém se na sua função, e satisfeita. O que me dá também satisfação”.
Escrever pra se conhecer, uma válvula de escape, seria tão bom se todas as pessoas antes de falar coisas sem cabimento escrevessem antes pra si próprias, tentando encontrar uma resposta, um autoconhecimento. “Não, não estou escrevendo em procurar escrever bem: isso vem por si mesmo. Estou falando em procurar em si próprio a nebulosa que aos poucos se condensa, aos poucos se concretiza, aos poucos sobe à tona – até vir como um parto a primeira palavra que exprima.”
Gente, se me deixar ficarei horas falando dela, me fez tão bem ter ido lá, nessa fase de amadurecimento, vendo com outro olhar a vida, as coisas, as pessoas, procurando entender mais a sofrer com, é magnífico poder entrar num universo que nos faz questionar ainda mais sobre nós mesmos. Temos que ter total propriedade sobre nós, nossa vida, nossas vontades...
Espero começar a plantar a sementinha do verdadeiro autoconhecimento a minha querida liga do bem! Vamos falar e trocar informações sobre isso!
Amor, amar e amar e amar e amar!

Adorei o blog...
ResponderExcluirFico no aguardo pra ler suas sugestões de leituras...
Beijos